terça-feira, 14 de agosto de 2012

O fim do cangaço e suas consequências

A extinção desse fenômeno social foi conseqüência sobretudo da mudança das condições sociais no país, das perspectivas de uma vida melhor que se abriam para as massas nordestinas com a migração para o Sul, e das maiores facilidades de comunicação, entre outros fatores. Mais de dez anos antes da morte de Corisco já os nordestinos começavam a migrar para as fazendas paulistas de café, em longas viagens a pé; de 1930 em diante, a industrialização no Sul, a abertura de novas frentes agrícolas, como a do norte do Paraná, e a interrupção da imigração estrangeira tornaram mais intensa a demanda de braços do Nordeste, trazendo, como conseqüência, uma intensa migração para o Rio de Janeiro e São Paulo.

O Cangaço acabou?

                                                                                                                                  Pedro Paulo Libório
O cangaço em sua forma de “banditismo” foi um dos últimos movimentos do nosso país de luta armada e de classe pobre que dominou por um longo período de tempo o nordeste brasileiro. Virgulino Ferreira conhecido como Lampião foi um dos maiores líderes da história dos movimentos armados independentes do Brasil.

Os cangaceiros atingiam tanto pessoas pobres como ricas, porém o espírito de liberdade e independência demonstradas pelos integrantes desses grupos ao infligirem às normas da sociedade, iludiam e fascinavam os demais habitantes das regiões do Sertão do Nordestino. Muitos destes cangaceiros utilizavam dessa imagem de instrumento de justiça social para justificar seus crimes.

A extinção desse fenômeno social foi conseqüência, sobretudo da mudança das condições sociais no país, das perspectivas de uma vida melhor que se abria para a massa nordestina com a migração para Sul, e das maiores facilidades de comunicação, entre outros fatores.

Os traficantes das grandes favelas brasileiras roubam e matam criando seus próprios protocolos e leis em seus locais de dominância característica semelhante à dos cangaceiros nordestinos. Foram os cangaceiros que introduziram o seqüestro em larga escala no Brasil. Faziam reféns em troca de dinheiro para financiar novos crimes. Caso não recebessem o resgate, torturavam e matavam as vítimas, a tiro ou punhaladas. A extorsão era outra fonte de renda. Essas características são evidentes nas favelas quando relacionadas às milícias. Os cangaceiros corrompiam oficiais militares e autoridades civis, de quem recebiam armas e munição. Um arsenal bélico sempre mais moderno e com maior poder de fogo que aquele utilizado pelas tropas que os combatiam.

Além desses cangaceiros atuais ainda existem outro grupo de “cangaceiros” na nossa sociedade eles estão no cenário político. A diferença dos cangaceiros de 80 anos atrás para os de hoje está no fato apenas de os primeiros, explicitarem as atividades ilegais.

Assim como os cangaceiros abalavam a sociedade com o banditismo e a matança a sangue frio hoje os nossos representantes atingem e infligem à sociedade a matando e sangrando com a conivência a situação de decadência e pobreza que muitos têm que sofrer para manter os elevados padrões de vida desses disseminadores que estão a todo tempo decidindo mesmo que de forma mínima o futuro de nossas vidas ou a ambiência em que conviveremos.

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